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Dúvidas mais frequentes

A nefrologia é uma especialidade médica vocacionada para o estudo e tratamento das doenças que afectam o funcionamento dos rins.
Por vezes, essas doenças só afectam os rins mas é necessário sublinhar que, na maior parte dos casos, as doenças que afectam os rins são doenças gerais, como a diabetes Mellitus, a hipertensão arterial e algumas doenças imunológicas, que provocam lesões em vários órgãos e também nos rins. A utilização inadequada de alguns medicamentos de uso corrente, como os analgésicos e os anti-inflamatórios, por exemplo, também pode provocar lesões renais.
Se não forem diagnosticadas precocemente e se não forem tratadas correctamente, as doenças renais podem provocar perda progressiva da função renal e evoluir para a insuficiência renal crónica. Na maioria dessas situações, a perda de função renal pode ser evitada se os doentes forem observados precocemente e seguidos numa consulta de nefrologia.
A realidade é que muitos doentes só são enviados tardiamente para um médico nefrologista, habitualmente quando já têm insuficiência renal moderada ou grave e, nessas condições, a insuficiência renal já tem um carácter irreversível. Muitas vezes, o melhor que o nefrologista pode fazer é impedir ou retardar o agravamento da doença renal, que já tem vários anos de evolução.

Embora não pareça, por ambas se dedicarem ao tratamento de doenças renais, são especialidades muito diferentes. A urologia é fundamentalmente uma especialidade cirúrgica em que grande parte das doenças pode e deve ser tratada através de intervenções cirúrgicas, quer do rim quer das vias urinárias. Em contrapartida, os médicos nefrologistas tratam de doenças que envolvem os rins mas que são tratadas por métodos médicos (métodos que não envolvem cirurgia). Além dos métodos de tratamento que utilizam, a principal diferença entre nefrologistas e urologistas está relacionada com as doenças que ambas as especialidades tratam: os nefrologistas tratam das doenças renais e de doenças gerais que podem afectar o funcionamento dos rins (aquelas que foram descritas acima), mas não trata tumores do rim, nem doenças que afectam outras partes do aparelho genito-urinário, como a bexiga ou a próstata. Em contrapartida, os urologistas preferem não tratar de doenças como a hipertensão arterial, a diabetes ou a insuficiência renal, doenças que são habitualmente tratadas com medidas médicas. Na realidade, a diferença entre as doenças que são tratadas pelos especialistas de nefrologia e de urologia é a principal razão pela qual as duas especialidades utilizam formas de tratamento tão diferentes: os urologistas são, preferencialmente, cirurgiões e os nefrologistas são, preferencialmente, médicos. Apesar das diferenças, é frequente os urologistas e os nefrologistas diagnosticarem doenças que devem ser tratadas pela outra especialidade. Quando um médico de uma destas especialidades (ou de qualquer outra!) faz um diagnóstico que deve ser seguido por um médico da outra especialidade, normalmente envia o doente a um médico da sua confiança. Existem, contudo, algumas doenças que devem tratadas simultaneamente pela Urologia e pela Nefrologia, como a litíase renal (pedra nos rins), por exemplo. A colaboração destas duas especialidades no tratamento desta doença é extremamente importante porque quando os cálculos renais são de dimensões relativamente grandes é necessário destruí-los ou removê-los, e isso é da competência dos médicos urologistas. No entanto, se as pedras nos rins se formam repetidamente no mesmo doente, a sua destruição repetida não é o melhor tratamento possível. Nesses casos pode ser necessário que o doente seja observado por um nefrologista, porque podem existir alterações das características da urina ou doenças gerais que justificam a formação repetida de pedras nos rins e porque o tratamento adequado dessas alterações pode prevenir a formação de novos cálculos.

Depende da doença e da fase em que se encontra. Algumas doenças podem manifestar-se pelo aparecimento agravamento da hipertensão arterial, pelo aparecimento de edemas (pernas inchadas) diminuição da quantidade de urina ou aparecimento de sangue na urina. Os doentes com pedras nos rins, que podem ter cólicas renais mais ou menos frequentes. No entanto, na maior parte dos casos e nas fases iniciais as sintomas das doenças renais podem ser poucos ou nenhuns. A maior parte dos doentes só sabe que tem doença renal quando aparecem alterações das análises. Este facto é importante porque as análises de sangue para avaliar a função renal são muito pouco sensíveis, e só estão alteradas quando a função dos rins já está bastante comprometida. Em consequência disso, as análises de urina são muito importantes e o aparecimento de uma quantidade relativamente pequena de proteínas ou de sangue na urina pode alertar para uma doença renal, mesmo que as análises de sangue ainda pareçam estar normais. Nesses casos, as análises de rotina não ajudam muito e são necessários exames especiais para efectuar um diagnóstico precoce.

A hipertensão arterial é uma doença muito comum, mas não há nenhuma especialidade que se dedique especificamente ao seu tratamento. Conforme a gravidade da hipertensão, esta doença pode ser correctamente tratada pelo médico de família, ou por especialistas de Medicina Interna em consultas hospitalares de hipertensão.
Quando a hipertensão é grave e já existem complicações cardíacas, é natural que deva ser tratada por um cardiologista e se já tiver complicações renais, deve ser tratada por um nefrologista. O tratamento da hipertensão arterial tem dois objectivos extremamente importantes: o primeiro objectivo é manter os valores de pressão arterial dentro de limites adequados; o segundo objectivo é conseguir esses valores de uma forma que não seja prejudicial para o organismo e para o rim. Na realidade, baixar os valores da pressão arterial é relativamente fácil (existem inúmeros medicamentos para o tratamento da hipertensão arterial), mas fazê-lo sem prejudicar a função renal pode ser bastante mais complicado. No fundo, é importante salientar que tanto em Portugal como a nível mundial, a hipertensão arterial e a diabetes são as principais causas de insuficiência renal e as doenças que mais contribuem para o aumento progressivo do número de doentes em hemodiálise.

Como foi dito atrás, a nefrologia não é a especialidade que só faz diálise (embora alguns médicos pensem isso!). Os doentes diabéticos com insuficiência renal, mesmo que pareça ligeira, beneficiam muito em ser observados precocemente numa consulta de nefrologia e devem ser seguidos pelo nefrologista mesmo que só tenham algumas proteínas na urina. Mesmo que as análises de sangue não revelem alterações da função renal! Isto não quer dizer que não necessite de continuar a ser seguido pelo seu médico assistente ou pelo seu endocrinologista. Na realidade, a diabetes é uma doença complicada, que afecta simultaneamente vários órgãos, e pode haver necessidade de ser tratada simultaneamente por médicos de várias especialidades.

Todos os doentes com insuficiência renal devem ser seguidos em consultas especializadas. A insuficiência renal divide-se em vários graus de gravidade, desde o estadio 0 (o menos grave) até ao estadio V (o mais grave e que em que a função renal já necessita de ser substituída). A actuação da nefrologia é diferente em cada caso. Com medidas adequadas, a evolução da doença desde o estadio inicial até à insuficiência renal crónica grave pode ser prevenida ou retardada.

Além da prevenção do agravamento da insuficiência renal é necessário ter em atenção o rim exerce diversas funções extremamente importantes para o conjunto do organismo. Mesmo nas fases em que a gravidade da insuficiência renal ainda não parece ser muito grande, já existem alterações que devem começar a ser corrigidas para evitar que se agravem com o tempo. Entre essas funções, está o tratamento da hipertensão arterial, o controlo dos factores de risco cardiovascular, a correcção do metabolismo do cálcio e do fósforo, a correcção da anemia, e a instituição de medidas destinadas a melhorar a nutrição, para prevenir a desnutrição e retardar a perda da função renal. Se estas alterações não forem corrigidas precocemente, quando os doentes chegam à fase mais avançada da insuficiência renal apresentam um estado geral muito pior e mais complicações, e esse facto pode agravar o prognóstico a curto prazo.

Esta é uma pergunta muito frequente e um dos grandes medos dos doentes que vêm a uma consulta de nefrologia. Este receio é causado pelo facto de a especialidade de nefrologia estar muito associada à hemodiálise. Este conceito é muito frequente (mesmo entre os médicos de outras especialidades!) mas está muito longe da verdade. A grande maioria dos doentes que frequentam as consultas de nefrologia, quer nos hospitais quer em consultórios privados, não faz hemodiálise nem nunca irá necessitar de fazer. Esses doentes são seguidos em consultas próprias nos centros de hemodiálise ou nos hospitais. O facto de muitos médicos nefrologistas estarem ligados à hemodiálise está relacionado com motivos históricos, relacionados com a necessidade de continuar a tratar os doentes insuficientes renais e com a evolução desta técnica de tratamento, e, também, com motivos económicos. Mas é importante que não se confunda a nefrologia com a hemodiálise: a hemodiálise é apenas uma pequena parte de um todo muito mais vasto e mais importante que é a especialidade de nefrologia. É preciso sublinhar que o erro de alguns médicos que consideram os médicos nefrologistas como sendo os médicos da hemodiálise pode contribuir para que os doentes só sejam enviados para a especialidade de nefrologia muito tardiamente, ou seja, quando já têm insuficiência renal grave. Na realidade, uma parte dos doentes que podem vir a necessitar de fazer tratamento de substituição da função renal só chegaram a esse ponto por não terem sido tratados em tempo útil.

Pelo facto de a maioria da população ser seguida pelo médico, agora temos mais consciência das doenças renais. No entanto, há motivos para acreditar que o número de doentes renais está realmente a aumentar. Os motivos para estes aumentos estão relacionados com os nossos hábitos de vida, que mudaram muito nas últimas: comemos mais, comemos muito sal e muitas proteínas. Isso faz com que haja mais doentes hipertensos, mais doentes obesos, mais doentes diabéticos e, como consequência, mais doentes renais. Outro motivo para o aumento de algumas doenças renais, principalmente da insuficiência renal crónica, está relacionado com a melhoria crescente dos cuidados médicos e da esperança de vida das populações. Algumas pessoas que estiveram internadas em hospitais e que sobreviveram a doenças graves, ou que estiveram expostas a medidas de terapêutica mais agressivas (cuidados intensivos, cirurgias múltiplas, medicamentos tóxicos para o rim), podem ficar com problemas renais crónicos. Além disso, actualmente temos mais oferta e melhores tratamentos para os doentes renais crónicos e estes doentes vivem mais tempo.